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19/06/2015 09:10

Como colecionar minerais

A cada dia aumenta o número de interessados em conhecer e colecionar minerais. Uma coleção, seja do que for, deve ser um conjunto bem classificado e ordenado de peças. Quem assim não fizer não será bem um colecionador, mas mais um ajuntador.
Veja a seguir algumas orientações sobre como obter e organizar os minerais da sua coleção.
Onde obter peças para a coleção

Uma maneira fácil de obter minerais é comprando nas lojas. Você encontra material já limpo, escolhe à vontade e pode obter peças importadas. Só que tem que pagar.
Com mais trabalho mas sem usar dinheiro, você pode aumentar sua coleção em minas, garimpos e pedreiras, onde técnicos e operários poderão ajudá-lo a identificar os minerais coletados. Quem não conhece não imagina a quantidade e qualidade dos minerais para coleção que os produtores de ametista e calcita do Rio Grande do Sul jogam fora. 
Outro meio é a troca com outros colecionadores, mas você terá que ter peças que interessem a eles.
Escrever para empresas de mineração é outro caminho, mas poucas costumam atender esses pedidos.
Quando viajar, observe os barrancos das estradas. Manchas claras e/ou brilhantes no solo podem indicar presença de cristais.
Outra opção é procurar o Museu de Geologia da CPRM, que tem minerais para troca e doação.

A identificação dos minerais

Procure conhecer as principais propriedades físicas usadas na identificação dos minerais, como dureza, densidade, brilho, cor, formato dos cristais, clivagem, etc. Nos manuais e dicionários de Mineralogia, veja quais dessas propriedades são importantes na identificação de cada mineral.
As lojas nem sempre identificam corretamente aquilo que vendem. Por isso, procure um geólogo, um colecionador experiente ou o Museu de Geologia.

Como guardar e expor os minerais

Exponha sua coleção da maneira que achar melhor. Deixe para baixo e para trás as faces menos bonitas da peça e aquela que contiver a etiqueta de registro. Manuseie os minerais com cuidado, não permitindo que haja atrito entre as peças, principalmente se têm durezas muito diferentes. No transporte, enrole cada peça em bastante papel de pão, papel higiênico ou jornal.
Cuide também para não arrastar os minerais. Isso pode danificar as prateleiras, pois muitos deles, principalmente as pedras preciosas, riscam vidro e madeira. 

O registro das peças 

Registre todas as peças da coleção. Cole na face menos importante um número ou outro código de identificação. Num caderno ou arquivo de computador, escreva este número e, após ele, o nome do mineral com as principais características que identificam aquela peça (Ex.: geodo de ametista com calcita). Anote sempre a procedência do mineral. As lojas nem sempre sabem informar isso, mas não deixe de perguntar. 
Anote também as dimensões (largura, comprimento e altura), pondo a altura sempre em último lugar. Registre a forma de aquisição (coleta própria, compra, troca) e o nome de quem a coletou, doou ou vendeu. Se comprada, anote o preço (também em dólares). A data em que a peça foi incorporada à coleção é interessante anotar também.
Se a coleção for grande, pode ser necessário um código de localização, que mostre onde o mineral se encontra no móvel ou sala onde está exposto.
Faça esses registros sempre, mesmo que sua coleção seja pequena. Fazer isso depois que ela for grande será muito mais difícil e trabalhoso.

Como selecionar os minerais

Num garimpo, mina ou pedreira, onde os minerais disponíveis para coleta são abundantes, pode-se hesitar entre coletar ou não determinada peça. Na dúvida, faça a coleta. Em casa, os minerais parecem mais bonitos que no local onde ocorrem, principalmente depois de lavados. Além disso, é muito mais fácil descartar uma peça menos importante do que voltar ao local para tentar encontrar uma peça bonita que não se trouxe.
Um mineral pequeno ou de pouca beleza é melhor do que nada quando não se tem nenhum daquela espécie. Guarde-o até conseguir uma amostra melhor.
Os cristais podem valer mais pela beleza e perfeição do que pelo tamanho e sempre valem mais quando estão na matriz, isso é, engastados na rocha em que se formaram.
É válido colecionar só pedras brutas, mas não menospreze as lapidadas. Um mineral lapidado e um no estado bruto da mesma espécie formam um conjunto que se destaca pelo contraste e pelo valor didático.
O mesmo vale para as ágatas tingidas. A maioria das ágatas industrializadas em todo o mundo são tingidas e, além de isso não ser uma fraude, é preciso reconhecer que o resultado pode ter grande valor estético.

Como avaliar sua coleção

O valor de uma coleção vai muito além do valor comercial de suas peças. Inclui o trabalho que se teve para organizá-la e mantê-la, para identificar os minerais, etc. Some-se a isso o valor do conjunto: a coleção sempre vale mais que a soma dos valores de suas peças tomadas individualmente. 
Lembre que muitos minerais raros não existem no comércio e nesses casos o valor é você quem dita.


Cuidados com os minerais

Alguns minerais são muito fáceis de quebrar ou sensíveis à luz, umidade, calor, etc. Manuseie todos com cuidado, evite iluminação intensa permanente sobre sua coleção, bem como calor ou umidade excessivos.
A gipsita e o talco podem ser riscados até com a unha. A laumontita desidrata com muita facilidade, desintegrando-se. A ametista e o quartzo róseo perdem a cor se expostos muito tempo ao Sol. A halita, a silvita e a carnallita se desintegram em atmosfera úmida. 
Procure conhecer os pontos fracos de cada espécie. 

PARA PENSAR

Os minerais de sua coleção não foram criados ou fabricados por você. São dádivas da natureza, que os criou para toda a humanidade. Você é apenas temporariamente proprietário deles. É válido que os tenha em seu poder e até os venda, cobrando uma justa remuneração pelo trabalho e despesas que teve para obtê-los, preservá-los e organizá-los. Mas nunca esconda sua coleção. Não impeça que outros vejam aquilo que para todos a natureza criou. Sobretudo não mantenha sua coleção encaixotada, impedindo que até mesmo você a veja.
É preferível vendê-la a tê-la longe dos olhos. 

Fonte: Portal das Joias

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