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16/06/2015 12:50

Juniores voltam a captar fundos para projetos no Brasil

Aura Minerals, Avanco Resources, Orinoco Gold e Largo Resources são algumas das companhias que conseguiram levantar capital por meio de emissões, que variam de US$ 5 milhões a mais de US$ 60 milhões, para financiar seus empreendimentos no país.

A mineradora canadense Aura Minerals disse, no fim de maio, que vai levantar US$ 5 milhões para reduzir a dívida da empresa e concluir o relatório técnico do projeto de cobre e ouro Serrote da Laje, em Craíbas (AL). A Aura organiza a emissão de 57,009 milhões de ações ordinárias, que serão negociadas por 10 centavos de dólar canadense, cada, o equivalente a um prêmio de 15% em relação ao VWAP do fim de maio.

A captação representa um marco para a Aura, que, em janeiro, disse que avaliava opções para aumentar o valor do projeto Serrote da Laje e cogitava inclusive a demissão de trabalhadores. O ativo é operado por meio da subsidiária Mineração Vale Verde. O CEO da empresa, Jim Bannatine, disse que a captação dos US$ 5 milhões “é uma demonstração de confiança, com as condições atuais do mercado e a capacidade limitada de obter financiamento para companhias juniores como a Aura”

A Avanco Resources, que desenvolve os projetos de cobre Antas e Pedra Branca, ambos em Carajás, deve deixar de ser exploradora para se tornar produtora dentro de 10 meses. Em abril deste ano, a mineradora australiana anunciou a captação de US$ 62,2 milhões por meio da emissão de papéis e de um acordo de royalty com o fundo de investimento BlackRock.

O montante a ser captado pela empresa é suficiente para colocar o projeto Antas em produção. A operação é formada pela emissão de 249,251 milhões de ações, para receita de US$ 15,47 milhões; uma emissão de títulos para captar US$ 34,35 milhões; e um acordo de royalties com o BlackRock que vai gerar US$ 12,12 milhões. A expectativa da empresa é produzir aproximadamente 12 mil toneladas de cobre por ano e 7 mil onças de ouro em concentrado.

A Largo Resources, que opera a primeira mina de vanádio do Brasil, chamada Maracás Menchen, na Bahia, passou por um processo de reestruturação de dívidas e amortizações e conseguiu captar, no inicio deste mês, aproximadamente US$ 60 milhões para avançar com o empreendimento. A empresa realizou a emissão de 94 milhões de títulos, com a ajuda do Arias Capital Management, fundo que pertence a um dos conselheiros da empresa, J. Alberto Arias.

Com o montante levantado, a Largo vai reestruturar sua dívida e seguir com o desenvolvimento da mina de vanádio em Maracas (BA). Recentemente, a mineradora canadense anunciou que atingiu 87% da capacidade da planta da mina, com recorde de produção mensal de 487 toneladas de pentóxido de vanádio. A produção da Largo na Bahia teve início em agosto do ano passado.

A Orinoco Gold, que possui o projeto polimetálico Faina Goldfields, em Faina (GO), conseguiu, no início de maio, garantir financiamento para a construção do projeto Cascavel, que faz parte de Faina Goldfields. A mineradora australiana captou aproximadamente US$ 8 milhões por meio de financiamento e conseguiu dinheiro para a construção do empreendimento, que teve início no mês passado.

O acordo da Orinoco para financiar Cascavel foi fechado junto às empresas Cartesian royalty Holdings (CRH), que é associado ao Chancery Asset Management. A Orinoco possui um protocolo de intenções assinado com o governo do Estado de Goias para investir US$ 39 milhões na implantação de uma unidade industrial em Faina para extração e beneficiamento de ouro.

Especialistas do setor, como advogado Luis Azevedo, da FFA Legal e que pertence ao board de várias mineradoras no Brasil, dizem que já é possível ver sinais de melhoria no setor de mineração. Segundo ele, as juniores estão voltando, aos poucos, a captar e a realizar ofertas públicas de acoes (IPO, na sigla em inglês) e reverse takeovers, que é um tipo de fusão para se tornar empresa de capital aberto.

Azevedo, em artigo exclusivo ao NMB deu como exemplo uma apresentação do Lion, um resource sector fund que tem sede em Melbourne, na Australia. A entidade aponta que as mineradoras estão mostrando disciplina nos custos de produção; que as empresas medianas de mineração estão comprando projetos; os fundos voltaram a se reunir com mineradoras; fusões e aquisições começam a ser realizadas; e que investidores estão despertando o interesse para companhias de pesquisa e mineração.

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